4.2.09

Do sentimento de ter sido convidado por Fabio Morais para escrever alguns textos críticos sobre a obra de Fabio Morais

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Confesso que, como o umbigo é a parte mais tosca do corpo, bobo, feio, besta e banal, relutei logo de cara quando Fabio Morais me propôs que escrevesse sobre a obra de Fabio Morais, para seu Catalogue Raisonné. Convide o Hans, eu disse já batendo-lhe a porta na cara. Porém, depois, lembrando-me que se não fosse o umbigo não estaríamos aqui, refleti muito sobre o assunto e perdi um pouco o preconceito em relação ao ensimesmamento. Vesti-me com o preservativo que me preservasse de um olhar suspeito e pus-me à masturbação.
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É muita responsabilidade escrever sobre uma obra que não existe. Que está ensaiando e que, brevemente, daqui a uns nove anos, nascerá. (Cabe aqui um comentário: quando Fabio Morais leu este texto que lhe enviei, ele me advertiu que jamais sua obra existirá, tampouco nascerá. É tudo um grande ensaio e, se for marcada a estreia, com pompas e imprensa, tudo estará estragado. Tudo perderá a graça e terá o brilho apagado de uma nota manuseada de dinheiro. Ao me dizer isso, tive vontade de deletar o raciocínio que inicia este parágrafo. Mas resolvi deixar. No fundo, jamais acreditei em Fabio Morais). Propus-me, então, encarar este desafio como um cientista que escreve sobre um complexo formigueiro baseando-se na biografia da única formiga que encontrou na escada, que resolveu sair da colônia nesta tarde.
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Repito: é muita responsabilidade escrever sobre uma obra que não existe. Que está ensaiando e que, brevemente, daqui a uns nove anos, nascerá. Sinto-me bebendo chá quente duma xícara, sendo transportado por um jipe desembestado, numa estrada de terra esburacada. É fácil queimar o nariz.
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Por isso, enquanto autodidática de um autodidata, achei prudente pinçar alguns temas recorrentes na obra-ensaio deste artista. E, a partir deles, tecer comentários.
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