4.2.09

Do sentimento de sentir

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Confesso que tive receio de assumir o título deste meu segundo texto sobre a obra de Fabio Morais, Do sentimento de sentir, pois ele carrega em si uma dose forte de breguice. Mas, quando fui comprar uma geladeira e respondi à mocinha que me inquiria sobre meus dados que minha nacionalidade era brasileira, percebi que ser brega está na minha ficha de dados pessoais.
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Fabio Morias já foi mais romântico. Melado. A idade lapida. A tapa. De modo que, o “sentir” que elejo como tópico na análise de sua obra não é bem o sentir ciúme, repulsa, ódio, paixão ou amor. Mas sim a capacidade orgânica que o ser humano tem de se deixar ser atingido. Correr para o meio do tiroteio e, com as de raspão, modelar o corpo, com as no alvo, ganhar um órgão.
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Na verdade, aqui, enquanto crítico da obra de Fabio Morais, devo ser crítico de mim mesmo e assumir que não sei bem explicar, ou apontar matematicamente, onde está o sentir na obra de Fabio Morais. Por isso não ilustro este texto com links em direção aos seus trabalhos. Não se trata da obra em si, mas do pré. Da gasolina. (Cabe aqui uma nota: ao ler este trecho do texto, Fabio Morais me disse, ao telefone: Sentir é reagir. Deve ser isso. Fazer um trabalho de arte é reagir, como quando, depois de muito choque no peito, a enfermeira limpa o suor da testa e diz ao seu auxiliar: ele reagiu).
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